09/12/2008

É o Fim

Uma brisa quente soprava pela janela ao seu lado, quando começou a duvidar de si mesmo. O verão, que chegou aquele ano ameno e com nuances de outono, chegara para ficar alguns dias antes.
Ele não gostava do calor, clima que o afetava profundamente, e portanto, talvez fosse apenas um reflexo do tempo em seu corpo.
Mas haviam outros fatores mais importantes. O trabalho, atividade que o enfastiava e aborrecia, havia sido morbidamente pesado nas duas semanas antes daquele dia, e talvez essa sobrecarga também fosse algo que o estivesse afetando. Ainda assim, continuava com dúvidas. Olhava para as teclas de seu teclado e sentia que algo não estava ali e que de alguma maneira, o fato de não saber era exatamente o que o impedia de prosseguir. Sim, pois a falta de inspiração poderia ser suprida por quaisquer bobagens que pudesse imaginar e se usasse no texto idéias incoerentes, poderia funcionar. Mas o desejo de fazer algo importante e grande, que valesse a pena e fosse digno de admiração, fazia com que aquilo tudo parecesse um circo. Um circo onde somente ele era o palhaço, que apresentava suas idéias sem muita convicção ou qualidade, somente para fazer parte de algo - parte de quê, ele não sabia, mas sentia que era o que lhe faltava na vida.
Mas, naquele momento, ele viu que aquele não era o caminho. Não era o que almejava fazer. Não eram as vias que imaginava que fosse trilhar. E mais importante, ele sabia que, enquanto não fizesse aquilo que realmente desejava, enquanto fosse um medíocre, sua felicidade seria sempre aleijada, e sua existência, um fardo.
Então, pela última vez, jogou tudo para o ar. Sabia que algumas pessoas diriam que ele havia desistido, mas ele não se importava. Simplesmente trilharia outro caminho. Abandonaria aquilo que aprendeu a gostar pelos motivos errados. Sem promessas vazias, sem compromissos fúteis, era somente a hora de deixar aquilo para trás.
Ele levantou-se, fechou as cortinas, apagou as as luzes e foi embora. Nem uma lágrima, nem um pesar. Nem dele, nem de ninguém. E, ele pensa, sinceramente, pela primeira vez, realmente não importa.
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Não vou mais manter este blog. Vou deixar este texto aqui por algum tempo, para dar satisfações a meus pouquíssimos leitores e eventualmente tirar o Distopia do ar. Farei isso porque não me sinto mais a vontade para escrever e publicar na internet. A verdade é que a enorme quantidade de blogs que existem (e possuem leitores) são ruins, especialmente aqueles dedicados a literatura. Claro que há exceções à regra. Meu blog, no entanto, não é uma delas. Não me sinto motivado pela massa ignorante e iletrada que navega pela web - logo, a maioria dos textos que publiquei aqui são péssimos e refletem minhas piores qualidade como escritor e, algumas vezes, como indivíduo.
Sempre preferi escrever contos a crônicas, mas desde que comecei a publicar em blogs, minha produção caiu imensamente e praticamente parei de escrever histórias ou contos. Penso eu que isso aconteceu porque, falando a verdade, não quero escrever em blogs. Pensei que nunca iria escrever um texto pra ter comentários depois e foi exatamente isso que escrever acabou se tornando para mim - esperar comentários. Eu que sempre gostei de escrever pra mim mesmo e tinha vergonha de mostrar minhas histórias para os outros, passei a precisar de aprovação alheia. E se for pra escrever pra ninguém ler, não preciso de um blog. Então, não vou mais escrever aqui.
Continuarei escrevendo e mandando por e-mail meus textos para meus amigos, se estes assim quiserem. Mas somente vou tornar público novamente quando for uma coisa séria. E é assim que vou tratar todos os meus textos, sejam contos ou crônicas, daqui pra frente: com seriedade.
Guardarei o arquivo deste blog (e de todos os outros que tive e participei desde 2004, quando comecei a escrever na internet) por motivos sentimentais. Claro que, se algum dia alguém se interessar em ler eu vou permitir. Acho improvável, mas, enfim.
Bom, é isso.
Adeus.

21/11/2008

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Ando sem idéias para textos. Ando sem muita criatividade - culpa do trabalho, pode-se pensar - e não sei até quando. Meu ódio e insatisfação crescem diariamente, no entanto, então haverá algo a escrever logo. Espero.

04/11/2008

Que Cor Você é, verme?


Faça o teste Magic: The Gathering 'What Color Are You?'.


Quando eu vi isso daí a primeira vez, achei que fosse mais uma idiotice. Mas o teste não é óbvio, é cheio de perguntas com duplo sentido e é difícil prever o resultado. Mais um passatempo besta de internet, mas opa, é melhor que trabalhar.

29/10/2008

Ninguém é Culpado

Então, outro dia, recebi um texto de autor anônimo, com um relato indignado dos porquês do caso Eloá. O texto dizia que o grande problema da nossa sociedade é a permissividade dos diversos aspectos que fizem parte da nossa sociedade moderna: mídia, família, convívio social, etc. Que a ausência da negação é a causa para a falta de regras e para a desordem que reinam sobre nossas vidas.
Eu digo que isso não é inteiramente verdade.
É fato que a instituição da família está se dissolvendo e que conceitos que antes eram claros, como cidadania e direito civis, devem ser revistos para se adequarem a este novo modus operandi atual. Também é fato que a barbárie humana provoca nas pessoas todo tipo de reação negativa, ainda que somente se ela for visualmente e ideologicamente explícita - bombas despedaçam pessoas ao redor do mundo, ninguém liga, velha história.
A verdade é que não é culpa de ninguém. Não é culpa da mídia, não é culpa da polícia, não é culpa dos pais, ninguém tem uma culpa suficientemente significativa para ser considerado um culpado. Um conjunto de coisas, como educação, falta de estrutura social, despreparo psicológico e simplesmente burrice fizeram o rapaz matar a menina. Simples. Eu não estou indignado, pra falar a verdade, não dou a mínima. Não consigo deixar de me sentir um hipócrita se eu soltar uma lágrima por uma pessoa que não conheci, não me importa quem foi ou que vida teria, e cujo destino simplesmente é corriqueiro neste grande país, com pessoas que educamente fazem de conta que realmente ligam pra qualquer coisa fora das suas vidas egoístas.
Dizem que uma sombra terrível está tomando conta do nosso tempo, que entraremos para a história como o período negro da humanidade, mas pra mim isso é balela: todos nós temos um lado negro e só o que basta é um empurrão e as condições certas - e pronto, todos nós puxaríamos o gatilho. Então poupem o seu tempo e, o que é mais importante, o meu tempo e esqueçam esta história de uma vez e passem a se preocupar com a próxima tragédia que virá qualquer dia desses pra preencher suas vidas vazias e sem sentido.

26/10/2008

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A destruição me fascina. Como eu já disse antes, a natureza do conflito, seja ele a nossa luta diária contra a insignificância ou o holocausto, é a mais pura expressão da nossa natureza - violenta, destrutiva e cruel. Em algum ponto da nossa evolução, aprendemos a nos preservar como espécie, mas ainda somos seres sanguinários.
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Dito isto, espero pacientemente pelo lançamento de Fallout 3 e não vejo a hora de explodir cabeças de mutantes em um futuro apocalíptico.